quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009


Pensar os Direitos Humanos

Texto da Marta (12ºB)

Os Direitos Humanos em Os Lusíadas.

Camões propõe cantar «as armas e barões assinalados» do seu tão nobre povo português, mas não fecha os olhos à condição política, social e económica em que este se encontra.

O poeta deixa clara a sua posição em alguns dos Cantos, principalmente “Na reflexão do Poeta” (canto VII). Dá-nos o seu ponto de vista sobre o seu conceito do ideal humano, alguns deles poderíamos relacionar directamente com artigos da declaração universal dos direitos humanos.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi instituída a 10 De Dezembro de 1948, mais de 300 anos depois da época de Luís de Camões, mas, ao observarmos Os Lusíadas, encontramos alguns conceitos bem presentes na sociedade em que vivemos.

O artigo número I da Declaração Universal do Direitos Humanos diz-nos: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.” Camões começa o seu poema atribuindo essa dignidade aos merecedores, honrando-os e respeitando-as pelos seu feitos e declara que por causa destes “ Cesse tudo o que a Musa antiga canta, / Que outro valor mais alto se levanta.

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Auto-retrato

Texto de Violeta Calado (10ºano I)

Eu sou só um olho.
Um olho infinito por dentro.
Sou só um olho.
Tudo o que vejo entra de imediato na minha
escuridão cheia do Mundo, e torna-se nada. Nada
mais que nada.
E eu, eu sou quase nada.
Eu sou só um olho.
Escuro e cheio e vazio por dentro.
Só um olho.

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009


Há muito que não ia ao teatro

Crónica de Marta Amaro(10º ano I)

Já há muito tempo que não ia ao teatro. E já há muito tempo que não estava com a minha mãe, o meu pai, os meus irmãos. A vida separou-nos a todos e, felizmente por um lado, tornou-nos pessoas muito independentes. No entanto, esta peça de António Feio estava no Coliseu e ninguém do mesmo sangue que eu quereria perdê-la.
Começou tudo numa grande coincidência:
-Mana?
Depois de um abraço sem fim (tentativa falhada de matar saudades):
-Mãe? Pai?
E seguiu-se uma longa sessão de carinho.
-Luís! Faltavas tu!
Depois deste reencontro, entrámos na sala e, como os lugares não estavam marcados, ficámos todos juntos, como antigamente: ao lado da Mãe, eu, e depois, ao meu lado, o Luís. À direita da Mãe, o Pai e a mana. Estávamos todos contentes por estarmos reunidos numa altura que não fosse o Natal. Porém, não fiquei nem um pouco surpreendida pelo acontecimento.
Mal começou a peça, ficámos todos tocados pela força de Feio depois de tudo o que passou, mas não deixámos de reparar no seu aspecto debilitado. Nesse momento, todos pensámos o mesmo: “Falta a Avó”.
Os olhos aguaram-se mas não despegaram do monólogo que estava a decorrer. Nem mais nem menos, qualquer coisa sobre a vida e a morte. Ou se calhar era apenas esse o discurso dos seus gestos, do seu corpo. A sua expressão gritava que todos temos de abandonar a terra.
Até os mais espectaculares.
-Até os mais resistentes – disse ao Luís, que entretanto me deu a mão.
Já há muito tempo que não ia ao teatro.

domingo, 6 de Dezembro de 2009


As escolas e a arte da discriminação

Numa entrevista, Umberto Eco afirma que os professores deviam alertar os seus alunos para o perigo das listas de endereços enquanto fazem pesquisa para um trabalho. A maior parte dos conteúdos dos endereços são cópias de outros endereços.

Fonte:i_digital, 5-12-2009
«Sim, no caso do Google, ambos os conceitos convergem. O Google cria uma lista, mas no momento em que olho para a lista que o Google gerou, ela já mudou. Essas listas podem ser perigosas - não para os adultos como eu, que adquiriram conhecimento de outro modo -, mas para os jovens, para quem o Google é uma tragédia. As escolas deveriam ensinar a arte da discriminação.»

«Está a dizer que os professores deviam ensinar aos estudantes a diferença entre bom e mau? E, nesse caso, como o fariam?A educação deveria regressar às estratégias das oficinas da Renascença. Aí, os mestres podiam não ser capazes de explicar aos alunos por que razão uma pintura era boa em termos teóricos, mas faziam-no de maneiras mais práticas. Olha, isto é o aspecto que o teu dedo pode ter e este é aquele que deve ter. Olha, esta é uma boa combinação de cores. A mesma abordagem deveria ser utilizada nas escolas quando se lida com a internet. O professor deveria dizer: "Escolham qualquer assunto: a história da Alemanha ou a vida das formigas. Pesquisem em 25 páginas web diferentes, comparando-as, e tentem descobrir qual tem informação importante e pertinente". Se dez páginas disserem a mesma coisa, pode ser sinal de que essa informação está correcta. Mas isso também pode acontecer porque alguns sites se limitaram a copiar os erros dos outros. »

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sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009


Kandinsky em Nova Iorque

Em exibição no Guggenheim de NY, até Janeiro de 2010,
podem ser vistas online algumas das suas obras com informacões adicionais.
Clique em Kandinsky.

ligação associada: http://www.guggenheimstore.org/kandinsky.html


Prémio Goncourt atribuído a Abdellatif Laâbi

Fonte: i_digital, 4 -11-09

O Prémio Goncourt de Poesia foi atribuído hoje ao escritor e poeta marroquino Abdellatif Laâbi pelo conjunto da obra, informou a Academia Goncourt em comunicado citado pela AFP.


Deux heures de train

En deux heures de train
je repasse le film de ma vie
Deux minutes par année en moyenne
Une demi-heure pour l'enfance
une autre pour la prison
L'amour, les livres, l'errance
se partagent le reste
La main de ma compagne
fond peu à peu dans la mienne
et sa tête sur mon épaule
est aussi légère qu'une colombe
A notre arrivée
j'aurai la cinquantaine
et il me restera à vivre
une heure environ
.
A.L.

ligações associadas:

site de Abdellatif Laâbi
Prémio Goncourt

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009


Sebastian Bieniek

O homem que diz ao urso: " As flores não são boas para ti!"

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009


A Morte é a curva da estrada












A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te ouço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

Fernando Pessoa , Cancioneiro


poema dito por Natália Luiza


A Mensagem de FP faz 75 anos





Há exactamente 75 anos, no dia 1 de Dezembro de 1934, a editora Parceria António Maria Pereira, de Lisboa, publicava o volume de poemas Mensagem. O autor, Fernando Pessoa, tinha então 46 anos - morreria quase exactamente um ano depois, a 30 de Novembro de 1935 - e, em formato de livro, descontado um folheto, depois repudiado, no qual defendia uma ditadura militar para Portugal, editara apenas alguns opúsculos de poesia inglesa.